O fotografo Pedro Motta ressalta a beleza & representatividade do povo negro no belo editorial "áfrikas"



Pedro Henrique Mota, também conhecido como PH Mota, é um artista fazendo a diferença pela cena baiana. Natural de Salvador e criado na favela de Pernambués, PH é fotografo e produtor cultural, proliferando conhecimento por onde passa. O artista de 23 anos, integra parte do coletivo Hip-Hop Pernambués, fomentando o crescimento cultura local e regional em prol das comunidades periféricas, além de todo seu envolvimento com o coletivo Multirões de Grafiti, realizando rodas de conversa, aulões preparatórios para o Enem e batalhas de rap a "batalha da santa clara".

O fotografo é um grande expoente para os jovens de Salvador. O artista embarca com um projeto colaborativo realizado ao lado de Verônica Freitas, apresentando um material especial para ser colocado em pauta. Pensando em novembro como o mês da consciência negra, recebemos a idealização de um belo editorial, afirmando a beleza dos jovens negros com o trabalho batizado "áfrikas". O trabalho busca ressaltar a beleza negra dos jovens de salvador e jovens africanos que fazem faculdade no recôncavo baiano.




Trocamos uma ideia direta com Pedro, sobre seu novo manifesto fotográfico. Te deixando por dentro do surgindo e realização do projeto. Flagre o papo abaixo: 

VI$H: Olá, Pedro! Primeiramente, obrigado por ceder um tempo para essa entrevista. Para começar, poderia falar um pouco sobre você?
 Pedro: Eu que agradeço o contato  de coração! Me chamo Pedro  também sou conhecido como Ph eu sou um rapaz sonhador, que ta lutando e correndo atrás da melhora pra mim e para todos à minha volta. Sinto que com a arte e com o Hip-Hop eu consigo mudar um pouco a realidade, consigo contrariar as estatísticas seguindo firmão mostrando através das minhas atitudes o caminho que eu quero seguir e os ideais e valores que eu prezo.

VI$H: Qual a principal mensagem por trás do editorial "áfrikas"?
 Pedro: A principal mensagem por trás do projeto é  trazer um olhar sensível e atual da minha ligação enquanto jovem negro, vivendo a diáspora africana no lugar aonde existe mais negros fora da áfrica, que é salvador e todo o estado da bahia. É Tirar um pouco o foco desse estigma social que é ver pessoas pretas em situações de vulnerabilidade social,  retratar pessoas pretas felizes, resgatando um pouco da nossa história ancestral, mostrar que depois de tantos anos ainda estamos aqui ligados e que nossas história não são tão diferentes e precisam ser conhecidas e lembradas.



VI$H: Consegue medir a importância de apresentar este trabalho no dia da Consciência Negra? 
 Pedro: Eu entendo que nesse mês de novembro a parada vai muito além de celebrar a história de zumbi dos palmares ou de se falar da tal "consciência",  citar Morgam Freeman (haha) e comemorar um feriado. No brasil hoje mais de 56.2% da população é composta por homens e mulheres negras. São mais de 108 milhões de pessoas, vozes e vivências plurais que criam não apenas umas, mas muitas consciências negras. É tempo de refletirmos sobre tudo isso e lembrar que a história do nosso país é muito mais preta do que se imagina.

VI$H: O que pensa sobre a situação atual país explorado nas fotos? E qual sua opinião sobre o futuro?
 Pedro: A situação atual do país não é das melhores e não é de agora. O Brasil foi fundado através do mito da democracia racial e tudo que acontece hoje em dia é uma herança ruim do passado que reflete nas pessoas negras até hoje. Mas em contra partida nas fotografias eu resolvi que a partir de agora nós vamos falar sobre nós mesmos, dar vida a nossa voz, mostrando que não somos todos iguais e que nossa pluralidade nos faz únicos e lindos. Para que assim no futuro assim como eu me interessei pela arte, outros também se interessem e sigam o caminho da arte da educação e da cultura buscando uma vida melhor e ajudando no crescimento da quebrada.

VI$H: Nos relate a característica mais marcante presente nas fotografias do projeto "áfrikas"?
 Pedro: A característica mais marcante é a de foto retrato. Focar nos rostos das pessoas diz muito sobre elas e mostra as diferentes características, estilos de cada um. É ressaltar beleza & representatividade. É você se enxergar por mais que sejam pessoas diferentes. Reafirmando assim o nosso laço ancestral fazendo transparecer que somos reis e rainhas do passado.



VI$H: Como você define seu estilo de fotografar? Podemos esperar mais projetos semelhantes a este? 
 Pedro: Meu estilo de Fotografia é quase que documental, mas também tenho uma forte influencia artística  e  nas minhas fotos realço a beleza e o cotidiano do povo negro acho importante isso. Sim claro vai vim muita coisa boa por ai hahaha é só o começo da minha caminhada.

VI$H: Ser fotografo não é fácil. Nos deixe por dentro de como tem sido sua caminhada atrás das lentes até aqui. 
 Pedro: Não é fácil mesmo! Muitas batalhas eu tive que travar para seguir no caminho que acredito. A alguns anos atrás seria  impossível de imaginar ter acesso a essa arte, até porque fotografia profissional tem um alto custo de material que é quase inimaginável para uma pessoa da quebrada. Muitas vezes a gente não tem escolha, precisa botar comida em casa, pagar as contas e o acesso  fica cada vez mais difícil, cada vez mais distante. O meu caminho até aqui não foi, não é, e não vai ser fácil... mas eu acredito não no que eu tenho ou na minha condição no momento eu acredito naquilo que posso fazer com o que eu tenho e ai eu meto mão sem medo.

VI$H: Antes de finalizar a entrevista, deixe um recado para o leitores que estão conhecendo o seu trabalho.
 Pedro: O recado que eu deixo aqui é pra seguirmos em frente apesar das adversidades, eu procuro sempre ver as coisas por um outro ângulo. Nas minhas fotografias quero ressaltar que somos descendentes de reis e rainhas o que é totalmente diferente da história que é passada pra nós des de o começo. Já que não sabemos muito sobre nosso passado e o que nós sabemos não condiz com o que realmente é convido a todos a refletir, olhar e analisar as coisas a nossa volta para que possamos trilhar o nosso próprio caminho para que as próximas gerações tenham um futuro.

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