Ouça a imersão profunda de devlloz em seu primeiro álbum, ouça "Bobo da Corte"


O artista devlloz, já nos deixou bem claro a versatilidade que domina. Recebemos a chegada oficial de seu primeiro álbum, tocando em um ponto profundo. O material batizado "Bobo da Corte", reflete uma posição social, levando o titulo à risca, devlloz transpõe em suas composições o sentimento de se sentir ridicularizado dentro de um meio, abrindo seus sentimentos de forma clara. 

Sua estreia se da presente nas 10 faixas que compõe o álbum, material que vem sendo trabalhado desde 2019. O disco conta com participações certeiras de SPHYNX e SEMDÓ, além do musicista Biri Zee, que assina o violão nas tracks Chorão e Drogaz.  A produção musical foi realizada pelo próprio devlloz, sendo produzido, captado, mixado e masterizado via Estúdio RA9™. O visual do álbum dita uma essência única, tendo visualizers feitos por Bloody Goblin, e art visual assinada pelas mãos de blvckwitch

Bobo da Corte chega com idealização e direção pelo selo The Ghostwriters™. O trabalho já se encontra disponível nas principais plataformas de streaming. Escute:


Ouça "Bobo da Corte" no Spotify:


A VI$H teve o prazer de trocar uma ideia direta com o artista, te deixando por dentro de detalhes do projeto. Confira:

VI$H: Por que o álbum foi batizado "Bobo da Corte"? 
devlloz: Pelo significado esotérico e alegórico da figura do bobo da corte, a forma como eu me vi nesse lugar em determinados momentos da minha vida e por toda a representação desse personagem. O bobo da corte é um personagem estranho e ridicularizado, dentre vários motivos pessoais e estéticos pelos quais decidi recorrer a essa representação pro meu projeto o que mais considero importante dentro disso tudo é o exercício trazido por essa figura aos demais que o cercam. O bobo da corte imita as pessoas e faz graça de seus comportamentos, pra mim ele representa bem o processo de aculturação pelo qual passamos e a forma irônica e trágica como isso acontece durante o nosso amadurecimento como indivíduos. As pessoas julgam as outras e consequentemente a sí mesmas se privando da sua própria espontaneidade, liberdade e das experimentações de suas próprias e singulares sensibilidades ao mesmo tempo que gozam do sofrimento alheio e se viciam em construir vidas repletas de violência e infelicidade, isso acaba tornando as pessoas dependentes de uma forte insensibilidade para que elas possam suportar as consequências dos seus próprios atos e da vida que construíram para si mesmas, e isso tudo se banaliza e se torna uma regra na vida social prática ao ponto que se você simplesmente realizar movimentos corporais que fujam do usual, usar vestimentas inusitadas ou falar e fazer qualquer coisas que possam ser consideradas "estranha" você automaticamente desperta um sentimento de graça nas pessoas o que de fato é muito besta e engraçado mas que também possui lados muito violentos e negativos porque nem sempre esse estado de graça acaba por alí mesmo, na verdade eu diria que essa graça desperta a sensibilidade reprimida das pessoas e traz consigo muita infelicidade reprimida o que acaba despertando impulsos violentos e represálias normativas), pra mim esse é o verdadeiro inferno eu prefiro morrer do que viver assim. Além da leitura e interpretação desse personagem que eu mesmo acabei criando pra mim mesmo a escolha dessa figura para representar o que nomearia esse projeto se deu pelo bobo da corte também ser um performista que leva as pessoas ao exercício da vigia das manifestações do ego, o que sempre foi a minha proposta dentro da produção de cultura independente e porque também o bobo da corte foi o primeiro vilão criado por mim dentro das narrativas de RPG de mesa que eu mestrava pra jogar com meus amigos da DJB.

Foto por  Ludovica

VI$H: Qual a principal ideia pretende passar com o álbum?
devlloz: A ideia de que a fragilidade e a vulnerabilidade faz parte de todos nós, acredito que a aceitação desses sentimentos possa expandir a percepção das pessoas através do despertar dos seus sentidos e que esse seja um dos primeiros passos pra dissolução do sistema enrijecido de funcionamento egocêntrico e idealista do qual fazemos parte. Acho que de acordo com a abordagem que eu escolhi pra esse projeto eu também pretenda passar uma visão de que é justamente por essas dores fazerem parte da vivência de todos nós que ter essa sensibilidade é essencial para que se entenda que nenhuma dor justifica uma postura escrota, egocêntrica e de miséria para com as pessoas com quem trombamos na vida prática.
 
VI$H: Devlloz , o que mais te inspirou no processo de criação do álbum?  
devlloz: As coisas que eu vivi, as dores que eu senti e os aprendizados que eu tirei pra mim disso tudo. Experienciar como alguém pode agir de má fé e ser falso com você dentro da sua maior intimidade e como as pessoas realmente podem tomar posturas absurdas por medo, inseguranças e por conforto ao invés de lidar com as coisas de uma maneira honesta não só na rua e longe da gente mas também dentro da nossa casa e da nossa vida é o assunto principal que eu vivi durante esse tempo. O que me inspirou pra criar esse álbum foi a tentativa constante de me superar e de dar o meu melhor de forma completamente paralela a forma como as outras pessoas decidem agir comigo e na vida delas.

VI$H: O álbum chega com dez faixas, como foi produzir o disco ao lado do Estúdio RA9™? 
devlloz: Foi um trabalho árduo e contínuo, por mais que eu já tenha colado com outros produtores independentes pra movimentar esse projeto e outros eu sou o único produtor musical e fonográfico integrante do selo e estúdio RA9 então todo o trabalho de produção, mixagem e masterização foi feito por mim mesmo.
 
VI$H: A produção visual se destaca, tanto dos visualizers, como da cover. Como fluiu esse processo? 
devlloz: Em relação as capas feitas pelo blvckwitch foi bem interessante. Eu passei a visão pra ele de como eu queria as capas e ele na época tava com muitos outros trabalhos pra entregar também. Ele fez as primeiras versões e ficou mt longe do que eu queria e eu realmente não tava satisfeito com o resultado, mas eu realmente acredito que isso faz parte do processo, ai foi só a gente trocar uma ideia e eu explicar melhor pra ele que ele criou essas duas obras de arte incríveis e não poderia ter sido melhor, admiro muito o trabalho dele e as capas ficaram exatamente como deveriam ser. Já o visualizer feito pelo Bloody Goblin vai ser a última etapa do projeto a ser lançada e eu to muito feliz com o resultado, quero saber o que as pessoas vão achar e como essa produção visual vai agregar pra estética do projeto todo com o passar do tempo e o amadurecimento desse projeto no ar.
 
Foto por santnotsaint

VI$H: Como foi feita a escolha dos feats?
devlloz: Como esse projeto está sendo feito desde 1 de janeiro de 2019 as músicas já tiveram muitas outras versões e formatos e também outras participações, mas nada me agrada mais do que o resultado final dessa obra com a participação do SPHYNX e do SEMDÓ, eu tenho muita consideração por eles e tenho muito prazer em trabalhar com esses dois profissionais que na minha opinião são parte do melhor acervo de artistas e produtores independentes que produzem um conteúdo com propostas e estéticas com as quais eu me identifico hoje no Brasil, além do fato de que eles também tem um caráter experimental e metamorfo que eu também admito na minha criação de cultura.
 
VI$H: Podemos esperar por clipes em breve?
devlloz: Sim, um trabalho feito numa parceria entre a Valhalla Records e a produtora The Ghostwriters está sendo produzido. Eu gostaria também de produzir novos conteúdos audiovisuais pra esse projeto, trazendo a visão, lente e perspectiva de outros artistas independentes.
 
VI$H: Deixe um recado para os ouvintes que estão curtindo o trabalho.
devlloz: Esse é o início da minha carreira e fico feliz em poder dividir isso com o público que me acompanha.