O projeto “Queens no Comando”, promovido pelo coletivo feminino de breaking Flow Queens, foi lançado com a proposta de democratizar o acesso à cultura Hip Hop e fortalecer o protagonismo das mulheres na cena urbana. Desenvolvida ao longo de seis meses, a iniciativa reuniu ações formativas e artísticas que mantiveram ativo o caráter comunitário do Hip Hop, por meio de Jams, treinos abertos e um curso de produção cultural.
A primeira ação do projeto foi a realização de um curso online de produção cultural, voltado às integrantes do Flow Queens e aberto a até 15 mulheres interessadas no tema. Com inscrições realizadas entre 15 e 30 de janeiro, o curso foi ministrado por um(a) produtor(a) cultural reconhecido(a) na cena Hip Hop e abordou escrita de projetos, leitura de editais e execução cultural. A formação partiu das experiências e desafios enfrentados pelo próprio coletivo, com foco na capacitação e no empoderamento de mulheres, especialmente das periferias, para o fortalecimento de iniciativas culturais em suas comunidades.
Na sequência, o projeto promoveu quatro treinos abertos de breaking, conduzidos pelas integrantes do Flow Queens e ministrados exclusivamente por mulheres. As atividades aconteceram no Centro de Referência da Dança (CRD), nos dias 30 de janeiro e 20 de fevereiro, e na Estação Tamanduateí, nos dias 14 e 28 de março. Dia 22 de março, acontece a primeira Jam no Chico science das 17 às 20 horas. A proposta ampliou o acesso ao breaking, fortaleceu a pesquisa corporal do grupo e estimulou a participação em campeonatos, além de evidenciar a presença feminina nas artes urbanas.
O encerramento da programação incluiu a realização de duas Jams, previstas para os meses de março e abril. As ações buscaram revitalizar essa prática tradicional da cultura Hip Hop, promovendo o encontro entre diferentes estilos, como breaking, popping, locking, waacking e house, e incentivando a livre expressão artística. Uma das Jams contou com banda ao vivo, ampliando a integração entre música e dança e reforçando o caráter coletivo da iniciativa.
Queens no Comando: O projeto “Queens no Comando” se propõe a preencher lacunas históricas da cena Hip Hop feminina ao ir além da formação técnica na dança. A iniciativa atua na formação integral de mulheres, oferecendo ferramentas de produção cultural, gestão e organização de eventos, fortalecendo a autonomia e o protagonismo das artistas dentro e fora da cena.
Além disso, o projeto cria espaços reais de visibilidade, onde mulheres ocupam o centro das atividades, seja nos treinos abertos, nas jams ou nos processos formativos, rompendo com dinâmicas que historicamente as colocaram à margem dos eventos e decisões.
Queens no Comando: O surgimento do projeto “Queens no Comando” é motivado pelo desejo de incentivar outros artistas a criarem seus próprios espaços e oportunidades, entendendo que a cena também se constrói a partir da iniciativa coletiva. O projeto nasce da vontade de compartilhar caminhos, estimular a autonomia e mostrar que é possível transformar ideias em ações e projetos culturais concretos.
VISH: De que forma a iniciativa utiliza o Hip Hop como ferramenta de formação, troca de saberes e fortalecimento comunitário?
Queens no Comando: A iniciativa utiliza o Hip Hop como uma ferramenta educativa, cultural e comunitária, partindo de seus elementos fundamentais, a troca, o respeito e a construção coletiva. Por meio dos treinos abertos, das jams e das formações, o projeto cria espaços onde o aprendizado acontece de forma horizontal, valorizando tanto o saber técnico quanto as experiências de vida de cada participante.
VISH: Qual é o papel das Jams dentro do projeto e por que essa prática é considerada essencial para a cultura Hip Hop?
Queens no Comando: As Jams têm um papel fundamental dentro do projeto, pois são espaços de encontro, troca e vivência direta da cultura Hip Hop. Elas permitem a conexão entre diferentes pessoas e trajetórias, fortalecendo a cena de forma coletiva e acessível.
VISH: Qual a importância de ocupar espaços institucionais e urbanos, como o CRD e a Estação Tamanduateí, para a visibilidade do projeto?
Queens no Comando: Ocupar espaços institucionais e urbanos, como o CRD e a Estação Tamanduateí, é fundamental para ampliar a visibilidade do projeto e reafirmar o Hip Hop como uma prática cultural legítima e presente na cidade. Esses territórios possibilitam o encontro com novos públicos e fortalecem o diálogo entre a cultura de rua e os equipamentos culturais.
VISH: Como o projeto estimula a autonomia das participantes para criarem e gerirem suas próprias iniciativas culturais?
Queens no Comando: O projeto estimula a autonomia das participantes ao oferecer formação para além da prática artística, compartilhando conhecimentos sobre produção cultural, organização de eventos e criação de projetos. A ideia é desmistificar processos e mostrar que é possível ocupar também os espaços de decisão e gestão dentro da cultura. Por meio da troca de experiências, da vivência prática e do incentivo à iniciativa coletiva, o “Queens no Comando” fortalece a confiança das participantes para criarem e gerirem suas próprias ações culturais, ampliando o protagonismo feminino e contribuindo para uma cena mais diversa e autônoma.
VISH: Para quem deseja participar ou acompanhar o projeto, qual o melhor meio?
Queens no Comando: Quem deseja participar ou acompanhar o projeto pode se informar por meio do Instagram, acompanhando o perfil do grupo @flowqueenscrew e da produtora cultural @sur.producoes. É por esses canais que são divulgadas as programações, chamadas abertas e atividades do “Queens no Comando”, mantendo um diálogo direto e acessível com a comunidade.
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