VISH: A Sede Sete tem se tornado um polo de originalidade no Centro-Oeste. O que existe na atmosfera desse estúdio que permitiu que você colocasse 28 anos de vivência em um projeto de estreia de forma tão direta?
Cria: Eu sempre me senti confortável na Sede Sete. Ela agrega originalidade, tem uma identidade que eu nunca vi em nenhuma outra produtora. Desse modo, também me senti confortável para me expressar da forma como eles sempre me permitiram. A Sede tem esse ponto, essa magia dentro da produtora.
VISH: Aos 28 anos, você estreia com um projeto solo, sem feats. Como você diria que é o peso de “quebrar a banca”? Afinal, qual é o significado de “quebrar a banca” na sua visão?
Cria: Eu acho que não teve um grande peso, foi tudo muito natural, bem leve, um processo criativo tranquilo. “Quebrar a banca”, para mim, é quebrar todas as estatísticas do que você pode fazer e do que pode conquistar. É alavancar fronteiras.
VISH: O quanto do seu passado em Planaltina você precisou “deixar no papel” para conseguir se transformar no artista versátil que ouvimos nas plataformas hoje?
Cria: Eu tive que largar muita coisa do passado para me tornar o artista que sou hoje, porque a vida que eu tinha antes não se compactuava com quem eu sou agora. Isso também é muito importante na vida do artista. Precisei largar o crime, pessoas que não agregavam no meu dia a dia. Fui amadurecendo e me tornando quem eu sou hoje. Acho que foi o momento certo de lançar o EP, falar um pouco sobre mim, sobre o que já vivi, e também sobre a minha quebrada, Planaltina-DF.
 |
| Foto por Tiago Damasceno |
VISH: Você sente que “QUEBRA BANCA” é o manual de instruções para quem quer entender a nova cara do funk no DF?Cria: O impacto que eu queria causar era esse: trazer algo original, uma parada que desse um “bug” no ouvido das pessoas, que elas estranhassem e dissessem “é diferente”. Mas tenho certeza de que, quando escutarem mais de uma vez, vão se identificar com a mensagem positiva e com as composições do EP. É a nova cara do DF, acredito que sim. Eu sou um desses novos protagonistas.
VISH: Muitos lugares tentam emular a rua, mas a Sede Sete parece ser a própria extensão dela. Como esse ambiente influenciou a sua liberdade de experimentar sonoridades que fogem do óbvio?
Cria: A S7, há muitos anos, sempre teve essa magia de experimentar outras sonoridades. É o seguinte: lá tem de tudo, vários gêneros musicais, e esse ambiente acaba abrindo a nossa mente. A Sede Sete é a cara da rua e sempre será. Sempre foi aberta a todas as oportunidades e talentos. Eles deixam você ser quem é. A S7 te dá essa liberdade e aceita isso de uma forma positiva, fazendo com que todo mundo entenda e ajude o artista.
VISH: Na produção musical, qual foi o momento em que o Dantesco ou o Astray te desafiaram a sair da sua zona de conforto vocal para atingir essa versatilidade do EP?
Cria: Tudo foi natural e começou com o ASTRAY. Eu tive uma ideia, porque sempre escutei muito plugg. O que eu ouvia dentro do plugg quis absorver e trazer para o funk, até porque não via muita gente fazendo isso. Foi dessa forma que trabalhamos as melodias do plugg, unindo essas referências e misturando tudo. O ASTRAY conseguiu trazer essa sonoridade, e fomos aperfeiçoando em cada faixa. O Dantesco também fez parte disso, agregando na mixagem e masterização, o que deu ainda mais brilho. Foi algo de que estávamos precisando. O Astray e o Dantesco apareceram no momento certo. Mas tudo começou nesse momento inicial, quando eu e o Astray tivemos a ideia.
 |
| Foto por Tiago Damasceno |
VISH: O Funk do Entorno está sendo classificado como uma movimentação à parte pela Sede Sete. O que o seu EP entrega que define as regras desse novo gênero no Centro-Oeste?Cria: O EP entrega originalidade. Eu acho que não existe definição de regras, esse gênero não tem regra. A intenção é explanar essa nova wave, assim como aconteceu com outros gêneros que se expandiram e foram aceitos pelas pessoas de forma positiva. Espero que isso aconteça também. Quem tiver que escutar, vai escutar; quem tiver que receber a mensagem, vai receber. Só tenho a agradecer. É muita gratidão.