O rapper Proença apresentou sua nova obra, o single batizado "Vagabundo", onde coloca em prática um pilar de protesto do hip-hop, com versos direto e muita realidade no lançamento entregue pelo artista no mês de julho, marcando o retorno de um visual em seu canal, desde a entrega do projeto "Sísifo", lançado no final de 2025.
A faixa se encontra em um boombap ácido, que transformou a realidade da favela em um relato cru e sem filtros, direto de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Entre corpos esquecidos, mães enlutadas e jovens marcados pelo preconceito, a música retratou o ciclo da violência e do abandono social, dando voz a quem costuma ser reduzido a rótulos.
O trabalho de Proença funciona como denúncia e provocação, humanizando quem aprendeu a sobreviver em meio a um cenário frequentemente reduzido a estatísticas.
A produção audiovisual merece destaque, contando com direção de câmera, fotografia, edição e coloração assinadas por NIG, além de direção musical e mixagem e masterização por MVX V$. A direção criativa e a letra ficaram por conta do próprio Proença, com realização da Vida Suja Records.
"Vagabundo" já pode ser escutado nas principais plataformas de streaming. Assista ao videoclipe completo abaixo.
Proença: As vivencias sempre nos trazem inspiração, as coisas estão sempre ali, basta a gente enxergar. No refrão pensei também em homenagear alguns funks antigos fazendo algumas referências, como a vida bandida do Mc Smith.
VISH: Existe uma imagem específica, vivida ou testemunhada, que serviu de ponto de partida para essa faixa?
Proença: Sim, venho de um bairro chamado Marambaia onde em 2019 aconteceu uma chacina que vitimou mais de 7 pessoas, vivi minha vida toda neste bairro, histórias de amigos meus e de pessoas que também não são meus amigos toda hora se cruzam com a minha, principalmente na hora de escrever.
VISH: Como foi a parceria com NIG na construção visual do videoclipe de "Vagabundo"?
Proença: Excelente. NIG chegou no coletivo para assumir essa parte do audiovisual, agregando muitíssimo conosco, era o pilar que faltava para o coletivo. Pensei na ideia do cenário e passei pra ele, construímos sozinhos o cenário para o clipe e excetuamos algumas ideias como a fogo que foi feita sem I.A, muito feliz em contar com ele.

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