O rapper e produtor musical Dantesco vive um segundo semestre de destaque dentro da cena em 2026, reunindo produções ligadas ao funk e novos projetos em sua discografia voltada ao trap. Vindo diretamente do Distrito Federal, mais precisamente de Planaltina, o artista registrou as raízes de sua região em sua nova obra, batizada de "Pesa Lombra".
A mixtape se destacou por carregar características marcantes de sua área, introduzindo visões que passam por dialetos, vivências, atitudes e todos os elementos necessários para representar a quebrada com autenticidade. Com uma voz grave e uma versatilidade intensa entre os beats, o projeto reuniu treze faixas, ocupando uma posição de destaque dentro do cenário underground e voltando os olhares para a região com maestria e originalidade.
A identidade territorial do artista também ganhou espaço na parte visual do projeto. Os visualizers e clipes que acompanharam a mixtape reforçaram a presença de Planaltina em cada cena, com Dantesco registrando pontos de encontro clássicos da cidade, tanto nos audiovisuais quanto na própria capa do projeto.
A obra conta com colaborações pontuais do DF, como Luizinhx, Akay, gvbxkillv, Jrnobeat, Cria da GQ, GU$TAVERA, Jovem Astray, Dxmscxn, KABLO e akabluntboy. A capa do projeto foi assinada por Gustavo Ribeiro, com visualizers na conta de Atila Designer.
A realização do projeto ficou a cargo do coletivo Lado Sujo, em parceria com o estúdio Sede Sete, localizado em Planaltina-DF.
A obra já pode ser escutada nas principais plataformas de streaming. Ouça completo abaixo pelo Spotify:
VISH: O que significa, na prática, a expressão "Pesa Lombra"? por que decidiu batizar a mixtape com esse titulo?
Dantesco: “Pesa Lombra” é quando alguma coisa bate diferente, quando pesa no ambiente, na mente, na presença. Batizei com esse nome porque resume a tape: um projeto que você escuta e sente que tem uma atmosfera própria.
VISH: Um REAL MANO faz parte da tape como um especial. Como você define o conceito de "ser de verdade" dentro da quebrada, tema tão presente nesse projeto?
Dantesco: Pra mim, ser um real mano não é pagar de mais rua, mais perigoso ou mais vivido que os outros seligou?! É ser coerente com o que você fala, lembrar de quem tava com você antes das coisas acontecerem e não precisar inventar personagem pra ser respeitado. Na quebrada você aprende muito rápido a perceber quem só tá performando e quem realmente sustenta aquilo que fala. Então “UM REAL MANO” vem muito mais desse lugar de postura e lealdade do que de estética. Ser quem é, como é, sabendo de onde veio e aonde quer chegar. Sem medo ou dúvidas, isso te faz um real.
VISH: O que representa, para você, colocar Planaltina no mapa deste modo versátil através da música?
Dantesco: Representa mostrar que Planaltina-DF não cabe em uma estética só. Daqui pode sair rap, trap, uma lombra experimental, melódica… e ainda continuar tendo a nossa identidade. Espero que quando ouvirem meu trabalho saibam que existe uma visão artística vindo daqui. Não é só falar “sou de Planaltina” dentro da faixa, é fazer Planaltina se materializar dentro da música.
E eu acho massa a ideia de não precisar sair daqui culturalmente pra ser entendido. Não quero traduzir Planaltina pro resto do Brasil. Quero que o resto do Brasil tenha que entender Planaltina-DF.
VISH: Para você o que seria "Pesar a Lombra"?
Dantesco: Pesar a lombra é chegar e mudar a atmosfera. Pode ser um beat, uma roupa, uma ideia, uma arte, qualquer coisa que tenha presença o suficiente pra mexer com quem tá ali. Na música, eu penso muito nisso: não quero que a pessoa só escute e passe pra próxima. Quero que alguma coisa fique.
Também tem esse lado de você entrar muito dentro da própria mente, viajar numa ideia até ela virar outra coisa, deixando a lombra mais densa. Sendo a raiz da expressão algo semelhante a: “bad vibes”.
Acho que essa tape nasceu de tudo disso, não é novidade DANTESCO trazer algo novo. E a lombra sempre foi pesada nas ruas onde cresci.
VISH: Como foi construir um projeto com tanta identidade regional? Como foi transformar dialetos e gírias de Planaltina em parte da linguagem musical de "Pesa Lombra"?
Dantesco: Foi simples e natural, é o jeitão que eu e os manim se comunica bota fé?! Então naturalmente isso aparece quando eu rimo. A geração que consolidou o “RAP DF”, trouxe essa essência pro meu ouvido desde cedo. No cenário nacional, ouvindo música de outros lugares, nois acaba aprendendo o vocabulário deles.
Você escuta um som de Atlanta e aprende como os caras falam lá, escuta um som do Rio, de São Paulo e acontece a mesma coisa. Então não faz sentido, tirar o nosso vocabulário da música pra ela parecer mais universal, da idea?! Se alguém de outro estado ouvir “Pesa Lombra” e tiver que perguntar o que significa alguma coisa, pra mim já funcionou, porque aí a cultura tá chegando nela do nosso jeito, e não o contrário.
VISH: Como a vivência em Planaltina moldou sua forma de compor e interpretar as faixas?
Dantesco: Completamente, porque antes de ser artista eu já tava absorvendo tudo daqui sem perceber. As conversas, as ruas, os personagens, os frevos, as vivências boas e ruins, o humor dos manos, até o jeito que a gente reage às coisas.As participações também vieram muito dessa conexão real, de artistas que eu vejo sentido colaborando na faixa, e não simplesmente participação por participação. Acho que isso deixa o projeto mais vivo, porque existem várias personalidades passando pela tape, mas todas conversando dentro da mesma lombra. Nisso a música acaba sendo um registro da nossa vivência, só que transformado em som.
VISH: O que você espera que quem nunca pisou em Planaltina sinta ao ouvir "Pesa Lombra"?
Dantesco: Eu quero que a pessoa termine a tape com a sensação de que conheceu um lugar sem nunca ter vindo aqui. Não soh a Planaltina de forma documental, porque a tape também tem muita fantasia, exagero e universo próprio, mas a Planaltina que existe através dos meus olhos.Se depois de ouvir o projeto alguém de outro estado ficar curioso pra saber o que é daqui, quem são os artistas daqui, como a gente fala, como é a cena daqui, pra mim truvou. A lombra é que a pessoa entre pela música e saia querendo saber de onde veio tudo isso.
VISH: Como fluiu a produção da tape? Você se conectou com outros de planaltina e do DF, como essa parceria que gerou os feats?
Dantesco: Foi muito orgânico. Muita coisa surge só de estar no estúdio, mostrar uma ideia pro mano, alguém ouvir de outra forma e acrescentar uma parada que você nem tinha pensado. E os feats fazem sentido justamente por isso. Eu não queria participação simplesmente pra colocar nome na tracklist. Queria pessoas que acrescentassem uma energia diferente dentro daquele universo. Nessa trouxe não só a nova geração como também as relíquias máximas do TRAP da minha quebrada.
VISH: Você tem trabalhado com diversos projetos. O que o dantesco vai apresentar a seguir? Pode nos revelar algo?
Dantesco: Eu boto fé que “Pesa Lombra” abre mais portas do que fecha um ciclo. Tem muita coisa que eu comecei a entender sobre meu próprio som fazendo esse projeto, então os próximos trabalhos vão aprofundar algumas dessas ideias e ao mesmo tempo apresentar lados meus que talvez ainda não tenham aparecido tanto. Não quero entregar tudo agora, mas tem música, visual e umas conexões acontecendo que vão agitar bastante esse universo. “Pesa Lombra” é uma parte do que eu tô construindo, não o limite.
Dentro do LADO SUJO, vem aí a “NOVA MALANDRAGEM”, trazendo mais uma geração de rappers pro coletivo, cada um com a sua singularidade.
Já no cenário do FUNK DF, vamos continuar expandindo território. Temos projetos insanos vindo de dentro da SEDE SETE, e nossas joias vão continuar brilhando e pavimentando o cenário local. “Vão ter que se acostumar com o smile dos mano”.
Reviewed by VISH MÍDIA
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08 outubro
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