VISH: De Repente Pai e Pra Sempre Paulin Shawty são dois projetos que podemos considerar marcantes. Sobre De Repente Pai, esse projeto fala sobre seu momento sendo pai mesmo, ou sobre ser usado como referencia dentro da cena?
Paulin: Acho que de repente pai foi um projeto que eu vi que meu rap estava mudando, que comecei a cantar mais sobre minha semana, já tinha de um tempo gravando em outros types fora do plug, mas em DRP eu me encontrei novamente no que eu comecei há 9 anos atrás, que sempre foi o que eu amei fazer, que é o plug. E pra mim pra sempre Paulin shawty foi um projeto que eu procrastinei muito, poderia ter sido um projeto perfeito, tinham mais feats grandes, mas como não organizei direito, deixei de última hora algumas coisas e ele saiu mesmo com algumas imperfeições.
Mas pra mim e pro RARENIK foi um álbum que somou muito pro nosso desenvolvimento musical dentro da cena, porque botei muitos manos que eu gostava musicalmente e acho que ampliou meu pensamento sobre gravar mais FEAT com as pessoas que eu consumo o trabalho. Também penso que foi onde comecei a trabalhar novamente minhas rimas, escrever minhas músicas, parar de procrastinar com meus lançamentos, trabalhar firme em um projeto e até me melhorou como pessoa me fazendo mais eficiente.
VISH: De Repente Pai, Pra Sempre Paulin Shawty e o EP TRINTAPONTOZEROFM trouxeram estéticas únicas para o seu corre. Como esses projetos foram recebidos e taxados pelo público?
Paulin: Esses projetos foram bem esperados, ambos.. tanto pelo público como por nós da 300, acho que todos fans ou a maior parte entenderam que cada um tem sua fase.
Que DRP é algo ou uma ideia baseado na minha fase de ser pai novo, quando tava broke e com dificuldades na vida. Que PSPS foi minha volta ao rap, minha volta a mostrar que eu ainda tenho algo sendo construído no rap em todos esses 9 anos. E 30.0FM foi um projeto onde eu falei sobre minha vida pessoal, minha semana, meu relacionamento com minha esposa e filho, família, amigos, que me declarei também abertamente em algumas faixas pra minha esposa Gabriele, porque a ideia desse projeto começou quando mandei uns samples do Rappa, Racionais, Trippie Redd pro Rare e pro Xav, e eu quis fazer algo do que eu estava emocionalmente querendo falar.
E sim, creio que cada um tem uma ideia diferente, sendo DRP onde comecei a ajustar meu rap, fazer algo menos escrachado. Mostrar minha semana, falar dos meus problemas pra arrumar dinheiro morando fora e com minha esposa grávida e outros diversos fatores. Pra mim pra sempre Paulin Shawty foi algo mais "quero reunir todos que gosto em algo só e lançar, mostrar pra essa rapa toda do rap que eu ainda consigo fazer isso.
Que eu consigo fazer músicas boas depois de diversos experimentos e fases que tive em outros type beats e também na vida. Joli e Hosoda foram essenciais, assim como os demais produtores, e ao RARENIK que desde 2021 tá comigo nessa batalha, mixando todas minhas faixas e me dando suporte máximo nos meus projetos e também é óbvio que foi ótimo pra me ajudar e também aos demais artistas.
Eu mesmo estou mantendo o foco pra voltar com consistência nos meus lançamentos e pegar uns números pra levantar meu perfil, pois perdi mais de 30k de ouvintes mensais, estava com 50K e vejo que passei muito tempo moscando.
VISH: O EP “TRINTAPONTOZEROFM” soa como uma frequência própria. Qual é a sintonia que você está tentando transmitir em 2026?
Paulin: Transmitir minha semana, o rap de quem ainda se fode todo dia, que vive pra pagar conta e comprar comida, de todo meu corre fora do país, atravessando a fronteira toda semana, da criação do meu filho, da relação com minha esposa, do rap mal criado ao rap de mensagem, tanto faz, eu acho que tem um pouco da minha boa e ruim pessoa nesse projeto, mas como já falei na outra pergunta, foram os sentimentos do que eu estava passando que quis transmitir.
VISH: Talvez você seja um dos artistas que mais vende feats no Brasil. Como é essa dinâmica da venda de feats com você, acredita que acessibilidade e seu estilo original sejam o segredo?
Paulin: Cara eu acho que não, eu converso muito com os meninos que fecham FEAT comigo. As vezes eu faço por valores bem baixos só pra inteirar nas contas, mas acredito que eu não seja um dos que mais vende feats, mas sim um dos que mais ainda precisa disso mesmo depois de tanto tempo lançando.
Acho que a venda de feats é algo daora. Eu mesmo no começo da carreira investi e comprei um feat do Hoffmxn por 70$ reais. Não existia Pix, eu paguei na lotérica. Eu estava indo pra escola e, antes de entrar, eu fui, paguei, enviei o beat do Peshow pra ele e ele me enviou as vozes, chamei o Claus e o Mamba pra essa faixa, tenho carinho por ela e vejo que ela bate até hoje. Só nessa faixa acho que temos 200k no SoundCloud (temos bem maiores, mas essa foi atemporal e na época foi muito bem aceita), quando o plug brasileiro ainda não tinha muita força, apenas com alguns nomes e ninguém ganhando dinheiro real.
Mas resumindo, se comprar FEAT fosse te ajudar na hora a mudar sua carreira, qualquer um seria rico, não funciona assim, música não funciona assim... Vejo que é muito peculiar o que tá viralizando hoje em dia, então depende de tudo que você fizer: BEAT, letra, flow, divulgação e etc, é algo fodido, mas creio que quando acerta não tem jeito, sempre flui. Não tem segredo. Só tem manos que gostam do que fazemos, também fazem e fecham com nós pra isso. Como também fazemos com os demais que trabalhamos quando não somos próximos ou amigos. Dou meu máximo em qualquer trabalho, seja meu ou vendido.
VISH: Qual será o próximo projeto do Paulin e qual abordagem encontraremos dentro do projeto? Pode nos revelar algo?
Paulin: Meu próximo projeto é #SANTACATARICH. Todas as faixas mixadas pelo Rarenik. Diversos produtores como Slasher, Kapeta 79, MANUGODAMN, OGCravabala, Flexinz e Joli e Hosoda, que acho que estão produzindo 11 das 13 faixas, sendo uma delas bônus. Sendo 4 FEATS e 9 faixas solo, contando com Tsunami Santo, Puto de Goiânia, G3Cartel e Young Nego K.
É um projeto acho que “político” e também, como todos os outros que citei, é rap semanal. Eu não tô falando nada que eles querem ouvir. Eu tô contando minha semana, óbvio que também em uma faixa ou outra eu falo sobre outras coisas, mas não é esse o foco...
Se eu conseguisse acertar todas eu tava forrado! E acho que vamos deixar pra falar dele a partir do dia 12, quando sai o primeiro single da mixtape, depois dia 19 um dos feats e dia 26 a mixtape, sendo assim 3 lançamentos nesse mês 6. Bora preparar a matéria, Gustavera, que dia 26 tem SANTACATARICH.
VISH: Encontramos muitas colaborações em seus projetos, como é a escolha de feats feita por você? O que você prioriza em artistas quando realiza conexões?
Paulin: Eu gosto de gravar com meus amigos e vender os FEATS pra ajudar em casa e na minha renda. Não priorizo nada, eu no momento tô ouvindo muito artista que veio agora e tô curtindo pra krl, ainda quero trabalhar com muitos, posso citar uns 20, mas deixa o tempo ver se dá certo. Pra gravar mesmo é com meus manos de longa e nova data, meus amigos, quem eu ouço. Eu priorizo quem me prioriza.
VISH: Você sente que já cravou seu nome no underground ou ainda está em fase de construção?
Paulin: Eu sinto que já cravei faz anos, mas, na opinião de alguns, não. E tudo bem, nem todos concordamos em tudo, mas, pra mim, não faz diferença, pois nós não temos nenhum apoio dentro da música. Poucos artistas underground têm... não tiro o mérito de ninguém, mas muitos merecem mais. Como eu também acho que mereço, mas marcha, o jogo é isso.
VISH: Você está presente na cena há bons anos, o que o Paulin de hoje poderia dizer e aconselhar o Paulin de 5 anos atrás?
Paulin: A não usar drogas, não procrastinar, não insistir nos erros, a ter, desde o começo, distribuído tudo da forma certa, não ter parado por quase 2 anos, a saber que nem tudo é da forma que a gente quer e que nós somos o que nós temos, infelizmente.
Reviewed by VISH MÍDIA
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22 junho
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