O artista Hate RCT esta vivendo uma nova fase em sua carreira. Vindo diretamente do Recanto das Emas, região localizada na área satélite do Distrito Federal. Com uma longa caminhada na cena, atuando no cenário musical do DF há mais de 10 anos, sendo amplamente conhecido pelas batalhas de rima, onde já representou o centro-oeste no nacional.
A versatilidade de hate é o que vamos contemplar hoje. Sua presença por diversos ritmos e vertentes merece o devido destaque. Desde de 2025, o artista atua ao lado do coletivo musical MP7Rajada, e dentro do trap ele tem ampliado seu nome, com projetos que exploram o UK Drill, ao lado de Jake The Kid, nas obras É Preciso Dar um Jeito Vol. I e II, e o trap com um projeto colaborativo ao lado de Cloudsnobeat.
Em 2026, a nova era de Hate é voltado para o drumless e boombap. O artista liberou no mes de maio sua primeira versão em um formato acido. Hate trouxe uma conexão especial ao lado de Murica Sujao, parceiro de rimas do museu nas batalhas de rimas ha mais de 10 anos, e 10 anos após o inicio desse encontro, eles deram vida ao Single "Gongo", a primeira faixa do seu álbum em parceira com o produtor goiano Saggaz, beatmaker e integrante do coletivo Sujoground, que contempla um time com vários artistas do Brasil.
Em primeira mão, Hate revelou o nome de seu próximo projeto, batizado como "Faroeste", trabalho que promete contemplar seu CEP e suas vivencias, fazendo um paralelo da sua área com o Texas, dos Estados Unidos.
O Feat com Murica trouxe um primeiro passo nas visões que encontraremos no álbum. O mais puro bombaap acido, instrumentais hipnotizantes que poderiam ser usados por lendas, versos sem poupar verdades, e o prime do Hate RCT nos versos. Sendo trabalhado há mais de 1 ano pelo artista, a data ainda foi revelada, mas chega ainda neste segundo semestre e com certeza ira valer a pena toda a espera.
Em Gongo, Hate recrutou um time de peso na construção do audiovisual, um time criativo formado por Luna Colazante na montagem e direção, Guilherme Santos e Newton na direção de fotografia, e também na cinegrafia e assistência de câmera. Guido Barbosa assina a assistência o still, enquanto a colorização ficou por conta de Marciusfilms. Rafael Barbosa responde pelas imagens still e Gustavo Ribeiro pelos elementos de design e estética VHS.
A obra ja se encontra disponível nas principais plataformas de streaming. Veja o resultado completo abaixo:
A VISH esteve em contato direto com Hate e através de uma conversa exclusiva trazemos alguns detalhes acerca de seu momento atual e seu projeto. Flagre completo abaixo:
VISH: O essa nova era do Hate Rct representa? O que pode nos falar sobre a versão do hate em 2026?
Hate: Essa nova era continua representando a essência do hip Hop que aprendi desde o começo, seja no trap, boombap, funk, sempre vou trazer a essência do rap df, independente do gênero musical, minha autenticidade. Esse momento é uma fase mais madura da minha carreira consolidando um trabalho de 20 anos. Em 2026 venho trazendo músicas novas em diversos estilos de batidas, porém todos os trabalhos vem com um conceito forte e evoluído já que esse ano completei 26 anos.
VISH: O que difere o Hate em sua essência do bombaap, do hate da MP7Rajada?
Hate: A diferença é que no Trap tenho uma liberdade a mais que no boombap pra falar de outras temáticas, também gosto do desafio que é inovar flores no trap, é um estudo também além de tudo, do boombap e é um estilo de música que gosto muito também, na mp7 consigo tá trabalhando com um coletivo de artistas que também gostam desse desafio, e estão trabalhando em prol do Trap DF. Centro Oeste Goiás.
VISH: O Recanto das Emas aparece como cenário e também como personagem da sua trajetória. O que esse lugar te ensinou sobre sobrevivência e criação?
Hate: Esse lugar me ensinou a viver e ver o mundo de outra forma, a partir do que vi saindo daqui pude despertar minha criatividade junto com a minha quebrada, minha área onde cresci e vivo, a junção da arte com os problemas sociais, a pobreza, a raça, são várias analogias que vão se criando naturalmente e o território sempre vai ser muito forte no Rap, falar sobre seu bairro, estado, país…
VISH: Por que comparar sua área ao Texas? Existe uma sensação de fronteira, resistência ou território nessa ideia?
Hate:Na verdade é um trocadilho RCT RCTexas mas se for ver mesmo tem várias semelhanças entre o Texas e o Recanto ou o Brasil em si, mas criei pensando mais no trocadilho e acredito que desperta algo em quem está ouvindo.
VISH: Você e Murica se conhecem desde as batalhas de rima. Por que "Gongo" precisou acontecer exatamente agora e não cinco ou dez anos atrás?
Hate: Então Gongo acabou saindo 10 anos após eu e Murica se conhecer, acredito que tudo acontece no tempo certo e durante todo esse tempo tanto eu quanto ele veio trabalhando muito, buscando evoluir e crescer dentro da cena musical brasileira, durante esse tempo nossa amizade se permaneceu independente da carreira de cada um e acabamos gravando nossa colaboração agora.
VISH: Me fale sobre a importância dessa colaboração com Murica.
Hate: A importância é celebrar nossos 10 anos de amizade, se conhecemos em uma batalha de rima muitos jovens e estamos aqui até hoje em prol da cultura hip Hop, demonstrando nosso melhor no nosso trabalho, correndo atrás sabendo da responsabilidade que é. Além de ser uma colaboração que queríamos muito lançar e acabou demorando 10 anos pra sair, o público também pediu muito nossa música.
VISH: O drumless e o boombap ácido parecem pedir mais verdade do artista. Você se sentiu mais exposto escrevendo esse projeto?
Hate:São estilos que venho estudando a um bom tempo né, gosto muito disso e acho sim que exige mais verdade do artista talvez por isso eu tenha me identificado. É necessário se expor em qualquer estilo mas nesse talvez mais um pouco, mesmo sabendo que existem certas coisas que não podem ser faladas em músicas.
VISH: O que o boombap ainda consegue dizer em 2026 que outros ritmos talvez não consigam?
Hate: Acho que trazer uma certa autenticidade e originalidade que não está acontecendo com toda cena do trap, trazer temáticas que não estão sendo abordadas no mainstream da música brasileira.
VISH: O que te atrai no boombap ácido e no drumless em uma época em que grande parte do rap está em outras direções sonoras?
Hate:Me atrai a sonoridade diferente, eu gosto muito de sample, sempre quis fazer um som sem bateria também, gosto muito de the alchemist, westside gunn, roc marciano, benny, conway ne griselda, boldy James, Doechi e vários outro que vieram trazendo esse novo jeito de fazer um boombap, algo mais moderno e no Brasil conseguimos modernizar legal esse estilo com alto nível lírico e de produção, além do audiovisual.
VISH: Existe alguma responsabilidade em carregar "RCT" no nome quando tanta gente da sua região acompanha sua caminhada?
Hate: Demais, acredito que não posso sujar o nome da minha quebrada, um bairro que já foi muito sujo pelo seus governantes, conhecido negativamente por problemas sociais.